domingo, 15 de agosto de 2010

O meu silêncio grita.


Tem dias que a gente sente necessidade de gritar. Talvez por passar tanto tempo repleta de pessoas a minha volta é que o silêncio me incomoda tanto. Diariamente a minha rotina é praticamente a mesma, quando chego do trabalho vou logo ligando televisão e computador, quase simultaneamente. Preciso de barulho e essa é uma característica que é mais forte do que eu. Não consigo controlar. Só que nem sempre, meu objetivo é alcançado. Já ouvi alguém dizer que algumas pessoas são assim mesmo e que fazem isso, de ligar equipamentos sonoros, para evitar a possibilidade de escutar os próprios pensamentos. Acredito que esta teoria faz sim um pouco de sentido. Tentamos constantemente nos esconder dentro de nós mesmos porque a verdade simplesmente dói e nos incomoda. Criamos personagens todos os dias e vestimos figurinos para compor personalidades que inventamos. Passei por algumas experiências em que daria tudo para somente escutar os sussurros que a minha mente e o meu coração discursavam, só que nesta época eu estava surda e por mais que tentasse, não ouvia. Hoje escuto, e a minha mente grita. Não sei exatamente em que ponto da vida tornei-me uma pessoa com características audíveis, só sei que foram tantas experiências que nem eu mesma seria capaz de relacionar. E já não me satisfaz o simples ruído dos meus equipamentos eletrônicos. Não me basta decorrer horas de conversas com amigos via computador. Eu preciso de coisas reais. Preciso de voz, de toque, de imagem. antes, um computador ligado e alguns amigos on-line me faziam a pessoa mais feliz do mundo. Hoje preciso sair de casa, usar o telefone, olhar nos olhos dos outros. E nesses últimos dias eu estava assim, precisando ver gente, precisando falar. Só que não foi possível e mesmo sentindo agora uma vontade enorme de gritar, vou continuar calada, procurar algo interessante na TV ou quem sabe pedir um lanche, para conversar um pouquinho com a pessoa do restaurante e o porteiro do meu prédio, depois puxar a coberta e dormir, para no meio da noite acordar e ter a certeza de que tudo não passou apenas de um pesadelo. Amanhã é um novo dia.

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