terça-feira, 20 de julho de 2010

"Voe por todo o mar"


Os dias andam atropelando a minha vida. Tudo acontece tão rápido, que nem bem me refaço de um determinado fato e já começo a sentir as expectativas de uma nova avalanche de novidades. Confesso que ando me sentindo meio dopada. Como se não fosse mais capaz de sentir dor. Me sinto carregando as angústias do mundo inteiro em um paradoxo inexplicável. Como se as minhas angústias já não se apresentasse em quantidade excedente. Sei que os meus maus não são maiores que os de ninguém e que os meus medos também não são piores. Mas tenho consciência de que ando levando comigo um coração abatido e um olhar angustiado. Busco, cada vez mais, um recolhimento que às vezes nem eu mesma entendo. Sinto necessidade em estar só, em digerir demoradamente o que me aflige. Ganho noites insones e um silêncio constante que só potencializa mais e mais a minha estreiteza. Pesadelos me afligem e sinto que ando tomando de um veneno servido por mim mesma. Transportando as aflições para um mundo que deveria ser de ilusões e sem sentidos. Preciso desesperadamente de sonhos singelos e utopias baratas. Preciso conseguir fechar os olhos e acreditar que as coisas vão melhorar. Descansar dessa vida desvairada que teima em expor os tapetes sendo puxados e os sorrisos falsos de pessoas dissimuladas. Quero o sono dos justos. As ilusões transitórias e as mentiras sinceras.

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